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Sessão na Aleac expõe base inquieta e desafios no início do governo Mailza

Foto: Alcinete Gadelha/g1 AC








A sessão da última terça-feira (28) na Aleac deixou um recado incômodo para o governo, o de que parte da base não está confortável. E isso acontece logo no início da gestão de Mailza Assis (PP), que ainda tenta firmar o comando e alinhar o próprio time.

O recado veio de dentro. Não foi a oposição puxando desgaste. Foram deputados aliados, da base, que subiram à tribuna para cobrar, e em alguns casos, dar um recado direto ao Palácio Rio Branco.

Luís Tchê (PDT) expôs um problema recorrente e sensível, sobretudo em ano eleitoral, a execução das emendas. Disse que está “cansado de dar explicações” às entidades e que nem sabe mais onde os processos estão. O incômodo vai além do viés administrativo. É político. Emenda parada vira desgaste com a base.

Pablo Bregense (União Brasil) foi além. Falou em assédio moral em órgãos públicos, citou estruturas do governo e deixou um aviso público. Disse que é parceiro, mas que sua parceria tem limite. A frase final, “não venham me tratar como moleque”, não foi dita por acaso. É uma cobrança com endereço.

Na mesma linha, Antônia Sales (MDB) levou a crítica para a área mais sensível de qualquer governo, a saúde. Relatou casos que chegaram a ela, cobrou resposta e pediu a saída do secretário recém-empossado, José Bestene. Quando um aliado pede exoneração em plenário, o problema já saiu do controle.

Vale lembrar que a filha de Antônia Sales, a ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB), é a mais cotada para a vice de Mailza no pleito deste ano.

O líder do governo, Manoel Moraes (PP), tentou conter o incêndio e prometeu reunião para alinhar a base. É o movimento esperado. Mas o fato desse alinhamento precisar ser feito às pressas, depois de críticas públicas, mostra que o problema avançou sem controle.

Esse cenário dialoga diretamente com esse momento inicial do governo Mailza. Ainda em fase de organização, com mudanças pontuais na equipe e disputas internas visíveis, a gestão enfrenta pressão de quem deveria sustentá-la politicamente. E uma base insatisfeita costuma cobrar mais caro do que a oposição.

No fim, a sessão foi um termômetro. Indicou que, antes de enfrentar adversários externos, o governo ainda precisa ajustar sua própria casa.




Fonte: OPalaciano
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