Racha na Ufac: Guida rompe com o próprio vice e deve apoiar outro nome para sua sucessão
A corrida pela reitoria da Ufac começou antes mesmo do calendário oficial, e já veio acompanhada de um racha que ninguém mais tenta esconder. A decisão da atual reitora, Guida Aquino, de não apoiar o próprio vice, Josimar Batista, abriu uma fissura pública na atual gestão e reorganizou o tabuleiro interno da universidade.
Josimar Batista, Guida Aquino e Carlos Moraes/Foto: Reprodução
Eleitos na mesma chapa, Guida e Josimar agora caminham em campos opostos. A reitora optou por endossar o nome de Carlos Moraes, atual pró-reitor de Extensão, que já iniciou uma pré-campanha visível nas redes sociais, com vídeos, discursos sobre o futuro da universidade e sinais claros de que pretende ocupar o espaço deixado pela atual gestora.
Do outro lado, Josimar também acelerou sua movimentação, assumindo de vez nesta semana a condição de pré-candidato e buscando dialogar diretamente com a comunidade acadêmica.
O estopim desse rompimento veio ainda em 2025 e ganhou contornos mais claros com a divulgação de duas notas públicas, raras nesse nível de exposição dentro da universidade. Josimar foi o primeiro a falar, ao criticar a decisão da Reitoria que alterou a condução da Assessoria de Cooperação Interinstitucional, setor que ele chefiava desde 2018. Na época, ele classificou a medida como abrupta, sem diálogo prévio, e afirmou que a mudança compromete projetos estratégicos, parcerias internacionais e até a segurança funcional de servidores.
Mais do que uma discordância administrativa, o vice-reitor atribuiu o episódio a um processo de esvaziamento político de sua atuação. Citou, inclusive, impedimentos para assumir a reitoria em ausências da titular, algo que, segundo ele, contraria o Regimento Interno. O timing da decisão, às vésperas do processo eleitoral, foi apontado por Josimar como um elemento que não pode ser ignorado.
Guida respondeu horas depois, com uma nota em tom técnico e defensivo. Negou qualquer retaliação pessoal ou política e sustentou que a decisão foi coletiva, amparada pelo regimento e necessária diante da criação da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia. Para a reitora, não houve mudança hierárquica na ACI, apenas uma reorganização administrativa para adequar o setor a novos desafios.
O episódio deixou claro que a eleição da Ufac não será apenas uma disputa de projetos, mas também um julgamento político da atual gestão. Ao escolher outro sucessor, Guida rompe um rito informal comum na universidade, o de continuidade entre reitor e vice, e força a comunidade acadêmica a comparar trajetórias, discursos e versões de um mesmo governo.
Um terceiro nome
Além da polarização entre o vice-reitor e o candidato apoiado pela reitora, começa a ganhar força uma possível terceira via. A presidente da ADUfac, Letícia Mamed, deixou o cargo nesta semana e é apontada como potencial candidata à reitoria. Com bom trânsito entre professores e estudantes, reconhecimento dentro da ala progressista da universidade e histórico de atuação sindical, seu nome passa a circular como alternativa fora do eixo direto da atual gestão, o que pode alterar significativamente o desenho da disputa.
Fonte: contilnetnoticias

